Cirurgia robótica de endometriose pelo SUS no Ceará


Cirurgia robótica de endometriose pelo SUS chega ao Ceará com participação da Dra. Kathiane Lustosa e demais profissionais da Salvata

O Ceará deu um passo importante na ampliação do acesso à cirurgia de alta complexidade com a realização da primeira cirurgia robótica para tratamento de endometriose pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. O procedimento foi realizado em Fortaleza, em uma iniciativa que reuniu a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o Hospital Cura d’Ars e a equipe especializada da Clínica Salvata.

A realização do procedimento demonstra como diferentes estruturas e competências podem se integrar para viabilizar o acesso de pacientes do SUS a uma tecnologia que exige equipamentos específicos, estrutura hospitalar e equipe médica especializada.

Nesse modelo, a Sesa viabilizou o atendimento pelo SUS, enquanto o Hospital Cura d’Ars, instituição privada da Rede São Camilo, disponibilizou o centro cirúrgico e a plataforma robótica para a realização do procedimento. A cirurgia foi conduzida pela equipe médica da Clínica Salvata, especializada no tratamento da endometriose e em cirurgia ginecológica minimamente invasiva.

Cirurgia robótica para casos complexos de endometriose

Cirurgia robótica de endometriose pelo SUS chega ao Ceará com participação da Dra. Kathiane Lustosa

A endometriose é uma doença que pode apresentar diferentes níveis de complexidade. Em suas formas profundas, as lesões podem comprometer estruturas da pelve e órgãos como intestino e bexiga, exigindo planejamento cirúrgico detalhado e uma atuação de equipes preparadas para procedimentos de maior complexidade.

É nesse contexto que a cirurgia robótica pode ser considerada uma ferramenta importante. A plataforma permite ao cirurgião trabalhar com visão ampliada e tridimensional, além de instrumentos articulados que proporcionam maior precisão e controle dos movimentos durante determinadas etapas da cirurgia minimamente invasiva.

A tecnologia, entretanto, não substitui a avaliação médica nem é indicada para todas as pacientes com endometriose. A escolha da técnica depende da extensão e localização das lesões, das condições clínicas e dos objetivos de cada tratamento. A Dra. Kathiane Lustosa destaca que o robô é uma ferramenta sob comando da equipe médica e que a indicação deve ser individualizada.

“A tecnologia oferece ao cirurgião uma visão ampliada e instrumentos com maior capacidade de articulação, mas é importante destacar que o robô é uma ferramenta sob comando da equipe médica e que a indicação depende sempre da avaliação individual de cada paciente.” — Dra. Kathiane Lustosa

Integração entre saúde pública, tecnologia e conhecimento especializado

A realização do procedimento também evidencia a importância da integração entre diferentes instituições para ampliar o acesso a recursos de alta complexidade.

A iniciativa reuniu a estrutura pública de assistência, por meio da Sesa, a infraestrutura tecnológica do Hospital Cura d’Ars e a experiência da equipe da Clínica Salvata no tratamento cirúrgico da endometriose.

À frente dessa atuação está um grupo de cirurgiãs ginecológicas que também conduz o trabalho desenvolvido pela Clínica Salvata e pelo Instituto Salvata de Educação, em Fortaleza. A Dra. Kathiane Lustosa, ao lado das Dra. Sara Arcanjo e Dra. Andreisa Bilhar, integra a liderança dessas iniciativas voltadas à assistência especializada e à educação médica.

A experiência da equipe também está relacionada à formação e ao aperfeiçoamento em cirurgia ginecológica minimamente invasiva e robótica. O Instituto Salvata desenvolve atividades de educação médica e treinamento de profissionais, fortalecendo a conexão entre prática assistencial, formação e atualização científica.

Um marco para a cirurgia robótica no Ceará

A realização da primeira cirurgia robótica de endometriose pelo SUS no Ceará representa um marco no acesso à tecnologia aplicada ao tratamento de uma doença que pode exigir procedimentos cirúrgicos de alta complexidade.

Ao mesmo tempo, é importante compreender o alcance desse acontecimento. A realização do procedimento demonstra a possibilidade de integração entre o SUS, a estrutura hospitalar privada e equipes especializadas, mas não significa, por si só, a existência de um programa permanente ou de uma oferta regular de cirurgias robóticas para todos os casos de endometriose no estado.

A data exata do procedimento e seus dados técnicos não foram divulgados publicamente, assim como informações sobre resultados, custos, critérios de seleção das pacientes ou eventual continuidade da iniciativa.

Ainda assim, a experiência estabelece uma referência concreta: tecnologia avançada pode ser integrada à assistência pública quando existe articulação entre gestão de saúde, infraestrutura hospitalar e competência médica especializada.

Para a Dra. Kathiane Lustosa, esse movimento reforça a importância de aproximar inovação e cuidado, sem perder de vista que a tecnologia precisa estar acompanhada de conhecimento, treinamento e indicação adequada.

“A cirurgia robótica representa um avanço especialmente relevante diante da complexidade que alguns procedimentos de endometriose podem apresentar. Mas tecnologia, por si só, não transforma o cuidado. É a combinação entre conhecimento, experiência, estrutura e indicação adequada que permite oferecer uma assistência cada vez mais qualificada.”

A realização desse procedimento pelo SUS no Ceará abre, assim, uma nova perspectiva para a discussão sobre acesso à cirurgia robótica e reforça a importância de iniciativas capazes de aproximar tecnologia, formação médica e assistência especializada no cuidado às mulheres com endometriose.